sábado, 21 de julho de 2007

A origem do REIKI (Mikao Usui)


Considerando-se que grande parte da tradição do Reiki é considerada "secreta" e não escrita, não há muita documentação histórica, assim alguns estudiosos alegam que a documentação existente entra em conflito com a própria história.

O fundador da tradição do Reiki moderna, o Dr. Mikao Usui, era um pastor cristão e professor na Universidade Doshisha, em Kyoto, no Japão. A história dele começa no final do século XIX. Quando estava dando uma aula, os alunos do Dr. Usui lhe perguntaram se ele acreditava literalmente na Bíblia; se ele acreditava que Jesus podia curar ao impor suas mãos sobre alguma pessoa. O Dr. Usui respondeu afirmativamente, e seus alunos pediram-lhe para provar se isso era possível dando uma demonstração. O Dr. Usui recusou-se, dizendo aos alunos que, embora ele acreditasse que isso fosse possível, ele não era capaz de fazê-lo. Mas ele queria provar a seus alunos que a crença nesse trabalho de cura não era simplesmente uma fé cega. Usui deixou então o seu emprego na Universidade Doshisha para estudar a Bíblia num país cristão, os Estados Unidos, frequentando a Universidade de Chicago.

Enquanto estava nos Estados Unidos, Usui percebeu que o ensino da Bíblia ali não diferia em nada daquele ministrado no Japão. Nenhum segredo de cura se encontrava revelado nos textos em inglês. Ele também descobriu outras filosofias e foi atraído pelo budismo. Ele leu relatos de Buda curando com a imposição das mãos sobre outras pessoas, exatamente como Jesus. Ele devotou seu tempo ao estudo do budismo, esperando descobrir o segredo da cura. Depois de sete anos, ele voltou à sua cidade natal, Kyoto, desejando continuar seus estudos num país budista.

Enquanto estava no Japão, ele falou com muitos monges budistas e zen, em busca do conhecimento. Todos lhe disseram que estavam mais interessados na cura espiritual, não em curar o corpo físico. Então, Usui começou um estudo mais aprofundado em sutras, primeiro na versão japonesa e depois na chinesa, da qual eles eram traduzidos. Não só o Dr. Usui aprendeu o chinês sozinho, como também o sânscrito para entender melhor a cultura original do Buda. Nos documentos em sânscrito, Usui descobriu uma forma de cura, escrita com símbolos especiais, mas estava inseguro sobre a forma de usá-la, se ela funcionaria e que efeito teria em quem a usasse. Ele decidiu fazer uma peregrinação para pedir uma orientação superior, do divino.

Depois de uma consulta aos monges, o Dr. Usui decidiu fazer um retiro de 21 dias, jejuando e apenas bebendo água, no monte Koriyama, um espaço sagrado conhecido por transmitir sabedoria durante a meditação. Ele disse para os monges irem buscar o seu corpo caso ele não retornasse no vigésimo segundo dia.

Usui escalou a montanha, acampou e empilhou 22 pedras. Cada dia ele jogava uma pedra fora e passava o dia meditando, rezando, cantando, bebendo água e ouvindo. Todos os dias acontecia a mesma coisa - "nada". Ele estava esperando uma revelação sobre como usar a fórmula, mas não conseguiu nada.

No vigésimo primeiro dia, Usui começou aquilo que imaginava fosse sua última meditação. Ele viu uma luz brilhante vindo em sua direção, cada vez maior e com mais brilho. Ele abriu os olhos para recebê-la e a luz o atingiu quase como um relâmpago. Usui pensou que tinha morrido porque não estava sentindo nada. Então, as bolhas de luz o rodearam. Nas bolhas ele viu os símbolos dourados de cura da fórmula que havia aprendido.

A experiência terminou tão rapidamente quanto começou, e Usui se levantou, sentindo-se ótimo. Embora tivesse jejuado 21 dias, ele se sentia forte e com vitalidade. Tão forte, na verdade, que se sentiu capaz de descer a montanha e voltar a Kyoto. Ele não se sentia fraco ou com fome e achou isso um milagre!

Enquanto descia a montanha, o Dr. Usui deu uma topada com o dedo do pé, rompendo a unha. Saiu sangue do seu dedo, e ele se abaixou e o segurou instintivamente até a dor desaparecer. Ele olhou para baixo e viu a unha de volta ao seu lugar, completamente refeita. Aí ele anotou seu segundo milagre ao descer da montanha.

Quando acabou a descida, Usui dirigiu-se a uma casa que servia refeições e recebia os monges que tradicionalmente jejuavam na montanha. O monge estava preparando um mingau leve para Usui, pois sabia que o sistema digestivo dele não estaria apto a trabalhar com nada mais do que isso depois de um longo jejum. Usui insistiu em tomar um café da manhã japonês tradicional. O homem alertou-o sobre as conseqüências, mas Usui não aceitou seus conselhos. Afinal, o homem deu a Usui a comida tradicional, sentindo que não era responsável por qualquer indigestão.

A filha do homem, ou talvez sua neta, levou a comida para Usui. Ela estava com a cabeça envolta em um lenço branco, amarrado como "orelhas de coelho". Ela contou a Usui que estava com dor de dente e não podia ir ao dentista. Usui ouviu a sua história e colocou suas mãos sobre o maxilar da mocinha. Quando ele as retirou, ela arrancou o lenço, explicando que a dor de dente havia passado. Ela foi até seu pai e lhe disse: "Ele não é um monge comum, ele faz mágica." Por causa desse milagre de "magia", o pai demonstrou sua gratidão a Usui e a única coisa que possuía para oferecer - comida. Usui comeu e digeriu a comida sem nenhum problema, considerando a cura da dor de dente e a falta de problemas na digestão como o terceiro e o quarto milagres desde a sua saída da montanha. Finalmente, Usui retornou até os monges e contou a eles sua história.

O Dr. Usui decidiu testar o poder dessa "energia de cura" indo às favelas na periferia de Kyoto. A comunidade ali estava organizada mais como uma tribo, e ele foi levado aos líderes tribais. Eles concordaram em lhe dar comida e abrigo em troca da cura de pessoas, mas Usui foi forçado a viver como um mendigo enquanto vivia entre mendigo, renunciando a usar o seu cinturão para guardar dinheiro e trocando suas roupas por farrapos.

Usui descobriu que aqueles que sofriam doenças crônicas, que padeciam com elas por períodos mais longos, levavam mais tempo para curar-se. Aqueles que eram mais jovens, que tinham ficado doentes por períodos mais curtos, curavam-se mais depressa. Depois que eles saravam, Usui os encorajava a voltar a fazer parte da sociedade e levar uma vida produtiva, o que cada paciente fazia, deixando para trás a favela.

Depois de sete anos ministrando a cura nas favelas mais pobres, Usui encontrou-se com um paciente que lhe era familiar. Ele percebeu que ele era um dos primeiros mendigos que ele havia curado. Usui ficou consternado e o interrogou. A resposta chocou Usui. O homem simplesmente tinha achado mais fácil viver como mendigo do que viver numa sociedade tradicional. Alguns dizem que Usui ficou tão transtornado pela mesquinharia daquela pessoa, não querendo retribuir e contribuir para o mundo, que abandonou as favelas cheio de tristeza e raiva.

Sentindo que tinha aprendido com os erros do passado, Usui começou sua tradição de cura, não apenas para curar os outros como tinha feito nos bairros miseráveis, mas também para ensinar às pessoas como curar-se e aos outros por meio do REIKI.

Ele não iria até os outros como tinha feito com os mendigos. Agora as pessoas iriam procurá-lo e ele trabalharia com aqueles que realmente quisessem ser curados. Ele começou a sua prática e deu início ao Sistema Usui de Cura Natural.



Fonte: PENCZAK, Christopher. A magia do Reiki. São Paulo, Editora Pensamento, 2004.

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